“ — Eles me chamavam… o Monstro.”

E se Victor Frankenstein e sua criação fossem reais, servindo de mera inspiração para a obra de Mary Shelley, publicada em 1818? E se, de alguma forma, ambos tivessem conseguido sobreviver até os dias atuais? A partir dessa premissa, temos o romance Frankenstein: O Filho Pródigo, escrito por Dean Koontz, em parceria com Kevin J. Anderson.

Em New Orleans, a detetive Carson e seu parceiro, Michael, estão em busca de um serial killer, denominado Cirurgião pela imprensa, que mata homens e mulheres e retira partes dos corpos, aparentemente levando-as como souvenires de seus crimes.

“Deucalião, que já tinha sido perseguido como uma fera, vivido duzentos anos como o último dos que vivem à margem, era vacinado contra todas as maldades. Incapaz de se ofender.”

Victor Frankenstein agora é conhecido como Victor Hélio, e sua criatura, como Deucalião, tendo passado os últimos 200 anos separados e tomando rumos totalmente divergentes em suas vidas. Enquanto Deucalião manteve-se recluso, seu criador persistiu na busca da criatura perfeita, concebendo diversos indivíduos ao longo do tempo, em busca do aperfeiçoamento da intitulada Nova Raça.

A perfeição não é idealizada somente pelo cientista, mas também por um homem atípico, que perscruta o aprimoramento de seu próprio ser, além da concepção de uma parceira ideal e digna de sua entidade.

E como criar a pessoa perfeita? Através de pedaços perfeitos, é claro!

“ — Victor era um homem — continuou Deucalião —, mas fez de si mesmo um monstro. Eu era um monstro… mas me sinto muito humano agora.”

O grande mérito de Dean Koontz e Kevin J. Anderson foi fazer a releitura do clássico, resultando em um suspense policial com toques de ficção científica. A essência dos personagens originais se modifica drasticamente de acordo com o tempo passado desde o evento da ficção de Shelley. O próprio Victor Frankenstein passa de “cientista maluco” a um insano degenerado (e definitivamente um personagem bem asqueroso).

À primeira vista, a obra parece volumosa, com suas quase 500 páginas; porém, a publicação da Editora Prumo tem letras grandes e largo espaçamento. Somado ao fato de os capítulos serem curtíssimos, a leitura se torna rápida e fácil.

O livro ganhou uma adaptação em 2004 para o canal USA Network, dirigida por Marcus Nispel e produzida por Martin Scorsese. O que era para ser uma série televisiva baseada no romance acabou resultando apenas neste filme.

Frankenstein: O Filho Pródigo foi publicado originalmente em 2004 e é o primeiro livro de uma trilogia, cujos títulos subsequentes são Frankenstein: Cidade Morta (co-escrito com Ed Gorman e lançado em 2005) e Frankenstein: Vida e Morte (2009). No Brasil, todos foram lançados pela Editora Prumo.

Uma segunda trilogia seria lançada, porém somente dois volumes foram publicados (ambos sem título em português): Lost Souls (2010) e The Dead Town (2011).

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