Passos. Do outro lado da sala havia um espelho, e nas profundezas daquela bolha prateada uma única palavra aparecia em fogo verde, e essa palavra era: REDRUM.

O Iluminado (The Shining) é uma das mais célebres obras de Stephen King. O livro foi publicado pela primeira vez em 1977, sendo o terceiro romance de sua autoria e seu primeiro best-seller. Foi adaptado em duas ocasiões: um filme dirigido por Stanley Kubrick em 1980 e uma minissérie para televisão em 1997, com direção de Mick Garris.

Jack Torrance é um escritor que, após ter tido sérios problemas com o álcool e ter sido demitido do cargo de professor, consegue o emprego de zelador do Hotel Overlook durante a temporada de inverno, em que o local fica fechado devido às nevascas. O trabalho parece fácil: apenas manter o resort funcionando enquanto passa alguns meses isolado nas montanhas geladas do Colorado. Uma oportunidade perfeita para terminar sua última peça.

Jack vai acompanhado de sua família: sua esposa motivadora, Wendy, e seu filho Danny, de cinco anos. Além da chance de escrever, o patriarca acredita que o período de reclusão possa ajudá-lo a renovar os laços com sua família, abalados pelo alcoolismo e pelo episódio em que (não tão acidentalmente) quebrou o braço do próprio filho.

Mas o Overlook é um hotel cheio de segredos, e seus mistérios afetam diretamente o pequeno Danny, que possui um tipo de clarividência (chamado de “iluminação” ao longo do romance). Desde que foi erguido, o Overlook foi palco de assassinatos, suicídios e histórias macabras, a mais recente sendo a de Delbert Grady, antigo zelador que matou sua esposa e filhas antes de se suicidar.

Os Torrance chegam ao local no último dia da temporada, quando todos os hóspedes e funcionários estão partindo. Um dos empregados que lhes apresenta as instalações é Dick Hallorann, o cozinheiro, que, assim como Danny, possui um grau de clarividência. Isso faz com que os dois se identifiquem imediatamente, e, antes de partir para a Flórida, Hallorann alerta a criança sobre os possíveis perigos do hotel. Logo os três são deixados a sós no resort, e os incidentes não demoram a acontecer.

Essa foi a segunda vez que li a obra, depois de já ter assistido às adaptações algumas vezes, e foi uma experiência positiva novamente. A prosa de King tem suas falhas, às vezes algumas divagações são longas e até desnecessárias, mas O Iluminado é uma obra rica que não falha em construir um ambiente aterrorizante. O Overlook não é apenas mais um local assombrado, mas sim uma verdadeira entidade, que aos poucos penetra na mente daqueles que estão ali.

Certa vez, durante a fase de bebedeira, Wendy acusara-o de ter um desejo de autodestruição, sem possuir a fibra moral necessária para amadurecer um desejo de morte. Então, ele criara meios pelos quais outras pessoas pudessem destruí-lo, arrancando pedaços de si mesmo e de sua família. Seria verdade? Temia, em seu íntimo, que o Overlook pudesse ser, exatamente, o que ele precisava para terminar o espetáculo. Estava se entregando? Por favor, meu Deus, não permita que seja assim. Por favor. 

É possível perceber o declínio mental de cada um dos três Torrance, especialmente o de Jack, que luta contra seus demônios, seu temperamento explosivo e o desejo de beber (mesmo que o hotel não tenha nenhuma bebida alcoólica), enquanto é afetado pelas forças malignas do Overlook. Um detalhe importante é que o próprio Stephen King lutou contra o alcoolismo na década de 1970, o que influenciou diretamente a construção do personagem.

No geral, posso dizer que gostei bastante do livro (de novo), assim como gosto das adaptações. Amo a do Kubrick (aquela que o King odeia) e tenho um carinho muito grande pela obra como um todo. Vale muito a pena ler, especialmente se você só assistiu à adaptação de 1980. Há boas diferenças entre os dois, enquanto a minissérie de 1997 é mais fiel (e também vale a pena).

O Iluminado ganhou uma continuação em 2013, chamada Doutor Sono, que mostra Danny já adulto. Não gostei muito do livro quando li, mas pretendo dar outra chance algum dia. A edição lida foi a da Suma, publicada em 2012 (meu exemplar é da 31ª reimpressão!), com tradução de Betty Ramos de Albuquerque.

Nota: 👻👻👻👻½

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