Depois de uma ressaca literária, passando quase um mês sem conseguir ler um livro inteiro, devorei em dois dias o curtíssimo Depois (Later), de Stephen King, lançado em 2021. Jamie Conklin é uma criança que vê gente morta (sim, naquela mesma vibe de O Sexto Sentido, de 1999). Os mortos têm a exata aparência do momento em que morreram, e, a não ser que tenham falecido em decorrência de algum trauma intenso (tipo um atropelamento ou um tiro), nem parece que estão mortos. E mais: quando questionados, eles sempre dizem a verdade.
O garoto aprende a lidar com seu dom logo na primeira infância e vive em Nova York com sua mãe, Thia, uma editora de livros que conseguiu relativo sucesso, mas passa por dificuldades com a empresa. De seu pai, Jamie não sabe absolutamente nada, e o parente mais próximo que tem é seu tio Harry, que sofre de Alzheimer precoce e se encontra internado. A dinâmica entre mãe e filho é afetada pela presença da policial Liz Dutton, amiga de Thia (mais que amiga, mas Jamie só descobre isso depois).
A história é narrada pelo Jamie já adulto, na casa dos 20 anos, e em capítulos bem breves ele vai relatando algumas de suas experiências com os mortos, sendo a mais intensa delas ainda na sua infância, quando precisou falar com o fantasma de um terrorista.
A gente se acostuma com as coisas extraordinárias. Aceita como normais. Podemos até tentar não nos acostumar, mas é o que acontece. Tem coisa extraordinária demais no mundo, só isso. Em toda parte.
O livro é bem escrito, flui super bem, só que está longe de ser uma obra-prima de Stephen King. O protagonista e sua mãe são personagens carismáticos, há um pouco de suspense e um pouco de terror, mas é uma narrativa morna que não chega a empolgar (ao contrário de O Instituto, último livro do autor que eu tinha lido e não consegui largar de jeito nenhum). Talvez agrade quem curte umas obras mais “light” do Stephen King, como Joyland (o qual não gostei). A edição lida foi a brasileira, publicada em 2021 (mesmo ano de lançamento nos EUA) pela Suma, com tradução de Regiane Winarski.
Nota: 👻👻👻








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