Perseguindo o Bicho-Papão (Chasing the Boogeyman) é um livro escrito pelo autor norte-americano Richard Chizmar, publicado originalmente em 2021. Nele, Chizmar não é apenas quem o escreve, mas também uma testemunha e personagem da história. O ano é 1988: quatro adolescentes são assassinadas em um curto intervalo de tempo em Edgewood, uma pequena cidade de Maryland (estado localizado no nordeste dos EUA). O fato de as jovens terem desaparecido praticamente sem rastros, e bem debaixo do nariz de seus familiares, acende uma onda de pânico no local, que passa a chamar o assassino de “Bicho-Papão”.

Na época, Chizmar é apenas um jovem recém-graduado, aspirante a escritor, que retorna à sua cidade natal logo após o primeiro crime. Ele se torna parte da história ao investigar, por conta própria, os crimes, com a ajuda de Carly Albright, repórter do jornal local e amiga de infância de sua noiva, Kara.

Minhas impressões (ou “como esse livro me enganou direitinho”):

Encontrei esse livro disponível no Prime Reading (tipo o Kindle Unlimited para assinantes Prime da Amazon, só que com catálogo bem mais enxuto) e comecei a ler achando que se tratava de uma ficção, um livro de suspense ou algo assim (não li a sinopse; raramente leio). Quase larguei no primeiro capítulo, pois a narrativa é contada em primeira pessoa pelo autor e suas divagações sobre a infância acabaram me entediando. Mas fiquei feliz em ter continuado a leitura, pois do segundo capítulo em diante ela fica mais fluida.

Acontece que passei a acreditar que não se tratava de um livro de ficção, e sim de uma obra de true crime, sobre crimes ocorridos na cidade natal do autor. E assim o livro foi me enganando até mais ou menos a metade, quando parei de resistir à tentação de procurar mais informações sobre os assassinatos. Eis que bato o olho em uma resenha que diz, em letras garrafais: “Ficção baseada em eventos verídicos.”

Ao final da leitura, fiquei até surpresa com a forma como a história foi conduzida. A escrita é bem convincente e realmente parece uma obra de true crime, mas no final o próprio autor conta o que é ficção e o que foi inspirado na realidade. A própria Carly não existe, mas, de fato, em Edgewood, no final dos anos 1980, houve casos em que um homem invadia a casa de dezenas de mulheres e ficava observando-as enquanto dormiam, por vezes tocando seus corpos. O agressor foi preso em 1993.

E foi esse fato que inspirou a história inventada por Chizmar, que se mistura com as memórias do autor, ambientadas na pequena cidade onde cresceu. Com a ajuda de voluntários e amigos, ele recriou fotos dos locais e retratou os personagens.

Tirando algumas partes mais tediosas (como mencionei, aquele primeiro capítulo), gostei bastante da leitura. O autor teve habilidade para contar uma ficção de modo bem crível. Foi a primeira vez que li algo dele, a quem só conhecia de nome devido à parceria com Stephen King: os dois escreveram juntos A pequena caixa de Gwendy e A última missão de Gwendy.

A edição lida foi publicada pela Editora Valentina em 2024, com tradução de Marcello Lino. Perseguindo o Bicho-Papão ganhou uma sequência em 2024, Becoming the Boogeyman (Tornando-se o Bicho-Papão, em tradução livre), ainda sem edição brasileira.

E acho necessário finalizar essa resenha lembrando que, embora essa obra seja de ficção, há um bicho-papão em cada esquina. Todos os dias, mulheres e meninas são mortas, vítimas de todo tipo de violência. Não se cale. Denuncie.

Nota: 👻👻👻½

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